/> Controle Remoto - críticas de cinema

domingo, 25 de outubro de 2009

CURTA - É ELA...



Um rapaz está de bobeira na praça quando vê a ex-namorada. Um pseudo-romance, uma quase-comédia, um não-drama. Baseado num fato real que não aconteceu.

Roteiro e Direção: Bruno Graziano
Fotografia: Jorge Maia
Ass. de Direção: Tatiana Faria
Edição e Finalização: Bruno Graziano
Produção Executiva: Bruno Graziano
Figurino e Maquiagem: Nina Kobayashi
Trilha Sonora: Bazar Pamplona
1ª Ass de Câmera: Dhyana Mai
2ª Ass de Câmera: Amanda Amaral
Ass. Produção e Still: Mauricio Paião
Cartaz e DVD Cover: Gustavo Correia
Elenco: Leonardo Paião e Marina Stacciarini
Participações Especiais: Isis Marche, Mauricio Paião, Nina Kobayashi e Bruno Graziano
2009

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

COMERCIAL ANTI-FUMO RODADO!

à alguns dias rodamos um comercial para um trabalho integrado da FACOM, sobre o slogan NÃO FUME POR TABELA, criado pelos publicitários da nossa afetuosa faculdade metodista.

apesar de ter sido of da CR, chamei os brothers everton oliveira e cleber isler, os melhores fotógrafos da história da controle remoto, para me ajudarem nessa missiva audiovisual, já que desta vez eu iria brincar de diretor de fotografia.

trabalhando com as eficientes e fofas garotas do grupo, além de nosso astuto coordenador zé augusto, e um simpático elenco, passamos uma agradável e levemente caótica tarde no cemitério do morumbi.

destacaria a grua brasil com s que fomos obrigados à usar! seis são muito raça, cúpula de foto da controle - maca de peso de cimento e latas de tinta com pedras + monitor preso com garras, fita crepe e suporte de madeira, eu nunca tinha visto. é nóis, truta!

respeitosamente,
graziano.

sábado, 12 de setembro de 2009

Making of - "RECOMEÇAR"



respeitosamente,
graziano.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

DIÁRIA.MENTE VENCE MAIS UM!

clipe do granada ganhou o prêmio de melhor videoclipe universitário de 2008 na intercom nacional. diária.mente agora é brasil, e rumo ao chile, quesá bariloche!

o produtor executivo murilo costa (2º à esq.) exibe o suado troféu com seu colegas de curso, quasetodos vencedores! (metodista feelings)

respeitosamente,
graziano.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

PROJETOS DE PRIMAVERA

enquanto esperamos alguns detalhes para rodar mais dois clipes ainda esse ano - o 2º do GRANADA e da dupla MAX E PI, terei em off da controle dois trabalhos na faculdade que serão esquema. um curta de 5 minutos de terror (na verdade será de humor negro com zumbis) e um comercial anti-fumo pra essa nova lei NÃO FUME POR TABELA. o curioso é que o curta chama ISQUEIRO, e conta a histótia de um cara que só quer acender seu cigarro, e na procura por um isqueiro, cai num ataque de zumbis.

semana passada fomos na locação pra fechar alguns caôs, como diria o mano do morro. seguem algumas fotos do local, uma ruela em L abandonada lá no ipiranga, em são paulo. sinistro o pico!






respeitosamente,
graziano.

sábado, 5 de setembro de 2009

CLIPE "RECOMEÇAR"

internet é foda. hoje vazou o clipe que fizemos pro RESTART. sem grilo, foi bom pra ver o estardalhaço que eles estão fazendo na cena. os muleques vão estourar e merecem isso. só nos resta acompanhar e torcer pra que o clipe bombe, e, claro, torcer pra que rolem outros clipes com os verdadeiros coloridos.



respeitosamente,
graziano.

sábado, 15 de agosto de 2009

CLIPE "RECOMEÇAR" RODADO!

quinta-feira rodamos o clipe "recomeçar" do RESTART. lá no estúdio da movietrack (indicamos, pessoal muito gente boa). será o primeiro videoclipe oficial dos muleques. os muleques tocam muito. a performance ao vivo deles é contagiante. digo até, que no que se propõe à fazer, um powerpop, ou happy rock, tanto faz, são os melhores do país. ai, decidimos fazer um clipe de performance. mas não uma performance comum. fundo infinito, branco, eles de branco, luz branca, tudo branco, e aos poucos o ambiente vai se colorindo. roupas, bolinhas, bolas, bexigas, tintas, luzes - e no fim uma guerra generalizada. um clipe divertido e colorido pra quem é verdadeiramente colorido, como eles mesmo dizem.

acabando a depressão pós-set, começo à montar. vai ser tesão, mas tenso. rodamos com 3 câmeras. 2 PANASONIC HVX200 e 1 CANON HV30, simultâneas. bastante material. foi a primeira vez que usamos mais de 1 cam. alguns takes tinham que ser de prima, precisos, por isso a escolha.

segue um frame do clipe.

respeitosamente,
graziano.

domingo, 26 de julho de 2009

Extra, extra - ERA UMA QUINTA-FEIRA virará longa-metragem!

"era uma quinta-feira" é um curta de 2007. até final de 2010 o filme fica pronto. palavra de honra. promessa é dívida. tenho 40 páginas de roteiro. até outubro vou terminá-lo. quero um filme de 80 minutos, no máximo. será de baixíssimo orçamento. rodado em digital, alta definição. não tem elenco definido, mas pré-contatos já feitos. a história não será exatamente a mesma, mas parecida. terão mais personagens. terá mais ação. o humor segue o mesmo. tá ficando foda!



respeitosamente,
graziano.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Poster - "É ELA..."

por gustavo correia.

e quem se interessar, o release do curta pra baixar:

respeitosamente,
graziano.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

MAKING OF À VONTADE - "É ELA..."



respeitosamente,
graziano.

domingo, 5 de julho de 2009

O ACASO - "É ELA..."

nos últimos dias mostrei o curta pra várias pessoas. as observações, elogios e críticas foram muito proveitosas. dois pontos foram muito elogiados - a fotografia e a trilha sonora. nenhuma surpresa. os pontos mais criticados foram os inserts do parque onde não aparecem a marina e o léo. esse é um lance curioso. eles surgiram ao acaso. o acaso que colocou os mendigos, cães e etc. eu respeito muito o acaso. mais que isso. eu admiro o acaso. digo mais. o acaso, pra mim, é o melhor que pode haver em várias coisas. mesmo sendo quase um consenso dentre todos que esses inserts são questionáveis, eu decidi colocar mais dois, ao invés de eliminá-los. eu valorizo o nonsense. e sei que a linha dele com a picaretagem é bem tenue. mesmo assim, decidi bancar. e se não funcionar, a culpa é minha, só minha. "é ela..." é, nada mais, nada menos, um curta sobre o acaso. um acaso específico, que é o momento exato de um rapaz que vê a ex-namorada na praça e fica num paradoxo interno se vai ou não falar com ela. o resto cabe ao espectador se identificar ou não. imaginar o que quiser. não tem grandes pretensões. o curta está finalizado.

e pra incrementar o post, segue uma música que eu não conhecia - Sand River, de beth gobbins e rustin man. estou viciado nela. diria até, que perto dela, metade das outras músicas bonitas do mundo são, no máximo, bonitinhas.



respeitosamente,
graziano.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

TEASER - "É ELA..."

na rabeira dos meus brothers de controle que lançaram o teaser, trailer e demais viadagens do curta "meníaco", lanço também minha viadagem, o teaser de "é ela...".



estou finalizando o registro junto à ancine e começando a inscrever nos primeiros festivais. se tudo der certo ele estréia em agosto. agora é encarar as burocras chatas PRA CARALHO de festivais e torcer.

respeitosamente,
graziano.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

CORTE FINAL - "É ELA..."

tenho um corte final do curta. acabei hoje. a correção de cor foi a mais rápida que fiz na vida. mexi em muito pouca coisa. chegou o monitor novo, que diferença, que diferença... parecia que eu editava na pré-história. o subwoofer com caixinhas de som decentes também deram um grull. deixei a edição de som mais precisa. o curta está com 10 minutos exatos, com os 40 segundos de créditos finais inclusos. tomei uma decisão importante. cropei o curta e deixei ele em aspecto 2:35. ele foi captado originalmente no 16:9 padrão. perdi pixels? perdi. mas ganhei sensação de cinema. e muita. eu sempre tive ojeriza pelo 4:3. nunca faria um curta ou clipe em 4:3 (quer dizer, pagando, vai saber). jamais. birra, implicancia, sei lá, só sei que não faria. e por quê não deixar em 16:9? 1 que o 16:9 está cada vez mais trivial, popularizado. lá fora já é padrão de TV à anos. outra que o curta cabe ser exibido em janela cinemascope. a foto, mesmo não pensada para tal, se adequou ótimamente.

acabei de fazer um teste cabine agora. em primeira instância está aprovado pra ser lançado. mas, antes disso, farei as pesquisas de opinião com algumas pessoas.

e falei de silêncio no post anterior, então segue um filme que usa o silêncio de maneira sublime:



"o novo mundo", do terrence malick. taí um cara que sabe usar o silêncio. todos os seus filmes o tem. é tenso ver no youtube. sonífero. é filme de telona. filme FEELINGS!

respeitosamente,
graziano.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

FINALIZANDO - "É ELA..."

ontem fiz o 1º tratamento de correção de cor. fui dormir. hoje assisti. achei uma bosta. uma grande bosta!

tenho ficado um tanto psicopata quanto à correção de cor. de querer corrigir até o que não precisa. a fotografia do "é ela..." tá bem boa. não tem que alterar muita coisa. as cenas da marina, então, talvez não mude quase nada. as cenas do léo, pouca coisa. vou, literalmente, corrigir cor neste curta. achar o plano de melhor textura e igualar o resto à ele. e não achar um novo look. comprei um monitor novo. de 22'. LCD. contraste de 30000:1. bem melhor do que eu uso. não foi pro curta, já estava precisando faz tempo. mas a urgencia do mesmo me apressou. deve chegar na quinta. na sexta quero fechar a cor com a aprovação do jorge.

cheguei à uma conclusão - o léo estava certo. certo em quê? na narração, na interpretação. o léo não é ator, mas é muito carismático e se dá bem com a câmera. não tem medo dela. gosta de estar frente à ela. isso vale muito. ele procurou ser o mais natural possível nas expressões e ações. e foi. na narração, procurou manter. eu quis que ele encarasse outra persona. não deu tão certo quanto imaginava. as piadas não entraram totalmente na boca dele. mas, sem piadas, o léo teve o olhar. o olhar do léo diz muito. o mesmo com a marina, que tem um olhar muito bonito. acachapante, eu diria.


não tem nada à ver com o curta, mas indico esta cena do filme "Buffalo 66". estou viciado nela à mais de um mês. vejo ela uma vez á cada 2 dias. ela é linda. não há falas. só ação e trilha. se você assistir o filme, entenderá. ela diz muito, com teoricamente pouco.

respeitosamente,
graziano.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

2º CORTE - "É ELA..."

ouvi uma frase certa vez: "todo filme é composto por pelo menos três filmes, o do roteiro, o da filmagem e o finalizado. e cada um é totalmente diferente do outro". foi um cineasta que falou. acho que foi truffaut. truffaut sabia o que falava.

isso é, sem dúvida, o que mais me intriga no processo. apesar de querer ao máximo burlar tal paradigma, ele é afrodisíaco. aconteceu com o "é ela...". está acontecendo, na verdade. imaginei um curta na hora do roteiro. rodando foi outro. já montando, outro ainda. não sei se foi pro bem ou pro mal. mas ele mudou bastante.

sábado gravamos a narração em off. deu trabalho. ontem fiz os testes na edição. hoje fiz um teste cabine. dei play no curta em alta definição num LCD de 32' na sala escura. com a edição de som já finalizada. me emocionei. eu gosto de silêncio em filmes. mas é difícil encontrar os certos. uma boa parte é bem chata. mas o porém maior, foi que decidi, até o momento sem pestanejar, deixar o curta no silêncio. puro silêncio. só com as trilhas, e a mixagem, que já dizem muito. as ações de cada um, as expressões, as surpresas do dia, as aparições especiais, ajudaram. sequei pra 10 minutos. tempo que queria. agora vou pra correção de cor.

filmar um silêncio e não ser chato é complicado. não sei se consegui. vou mostrar para algumas pessoas antes de fechar o corte. ai saberei um pouco. mas só vou saber, de verdade, se o curta for exibido pra pessoas que não conheço. e as reações dirão. até lá, a apreensão.


foto do mau, que acerta até quando erra.

respeitosamente,

graziano.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

DILEMA - "É ELA..."

hoje ensaiamos a narração em off. ela tá se acertando. e nesse processo, um dilema. ser ou não ser picareta? deixar o curta de um jeito que agradará mais festivais e críticos ou deixá-lo de um jeito que agradará mais o público comum? a resposta parece óbvia. e é. o problema, na verdade, é quando você se sente tentado a optar pela primeira opção. muito tentato.

enquanto isso, mais uma foto de making of.

léo e marina no clímax.

respeitosamente,
graziano.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

MAKING OF - "É ELA..."

algumas fotos:


respeitosamente,
graziano.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

EDIÇÃO DE SOM - "É ELA..."

a edição de som tá pronta. só falta o off do léo, na verdade. mas vai ser só colocar nos pontos demarcados e dar uma mexida em frequencia e ruído. foi bom fazê-la antes do off, porque dei mais etenção aos detalhes. ela se dividiu em três partes. caçar sound effect para alguns sons específicos. o sounddogs aguentou o tranco - o acervo deles é bem bom. gravar alguns foleys com gambiarras aqui em casa e utilizar algumas coisas de som direto. não captamos som direto com um shotgun no boom, mas o mic da cam ficou ligado, e como a HVX grava em 4 canais, isso ajudou. tive 4 sons diferentes de cada ação. e tratei vários no audition, o protools dos pobres. coisa simples, tirar ruído, alterar frequencia, mexer no speedy.

só exclarecendo que eu não sou um editor de áudio. e dificilmente vou ser. não tenho ouvido psicopata de gordinho nerd editor de som (mas admiro o trampo deles). foi só um quebra-galho, já que o curta não demanda nenhuma banda sonora muito complexa (e não tem orçamento, dizem). mesmo assim to trabalhando com 10 canais no premiere. bom que to aprendendo muita coisa na raça, na pesquisa. na épooca do "era uma quinta-feira" eu não sabia nem o que era DB.

equipe no final do 2º dia de filmagem.

respeitosamente,
graziano.

domingo, 14 de junho de 2009

FOTOGRAFIA - "É ELA..."

rodamos com a HVX200 + brevis35 + lentes nikon zeiss (25, 35, 50, 85, 100). os gerais foram sem o brevis. nos planos do léo, usamos mais a 50mm e a 85mm. conseguimos a pouca profundidade de campo desejada, mas com enquadramentos mais variados. já nos planos da marina, usamos sempre a mais tele, no caso a 100mm. ficaram, sem dúvida, os mais bonitos. o investimento do brevis valeu a pena nesses takes, sobretudo nos em que houve slowmotiom de 60fps nativos.

marina no pré-climax.

eu e o jorge (fotógrafo) decidimos usar o filtro 812 pra dar uma esquentada na pele, além do polarizador. quando tinhamos sol, o resultado ficou bem bom. sobretudo no fim de tarde dos planos da marina. os do léo sofreram um pouco com o céu nublado, então temos menos nuances, mas ficaram bem bons também. como não tinhamos dolly, nem grua, nem stead, nem helicóptero e o caralho, o jeito era expor bem, tirar profundidade e decupar no jeito carrapato. um plano seguido do outro, no respiro, grudado, usando e abusando da continuidade. algumas pans, tilts e flutuações de câmera deram um grull à mais, além do já citado slow, usado várias vezes (e o timelapse do pôr-do-sol, também).

léo também no pré-clímax.

os planos noturnos ficaram bonitos também, mas um pouco sub-expostos. natural já que não tinhamos luzes pontuais, só os spots ambientes. o jorge deu um talento ainda, fez um milagre B.O.N.I - baixo orçamento não importa, e conseguimos uma exposição mínima. vai precisar de uma correção de cor mais delicada, mas pimba na chuleta, como diria silvio luis.

respeitosamente,

graziano.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

ROTEIRO - É ELA...

o curta é baseado num conto de mesmo nome que escrevi à um ano. adaptei pra roteiro em abril. rodamos agora em junho. deve ficar pronto em começo de julho, no máximo. é curioso o processo de adaptação. foi a segunda vez que fiz, mas a primeira nem conta. foi na faculdade, no 3º semestre, com um conto de nelson rodrigues - "cansada de ser fria". apesar do resultado ter sido decente pra uma turma de 3º semestre, hoje o considero um pequeno desastre. um pequeno desastre com méritos.

ao adaptar para roteiro, vi as semelhanças que tinha com o curta "era uma quinta-feira", que fizemos em 2007. temática parecida, ambientação de praça. com a diferença que o primeiro era dialogado e este é narrado. percebi também, que o personagem de "é ela..." é uma mistura dos dois personagens do "era uma quinta-feira", o dennis e o maumau. é como se fosse um prelúdio. então, só me resta, admitir, que trata-se de uma trilogia sobre o acaso sentimental em praças paulistanas. isso é bem pretê, mas foda-se.

"é ela..." é uma comédia dramática. mais comédia do que drama (ou vice-e-versa, depende do ponto de vista). se acertamos no tom, ainda não sei, só quando o público ver. tomara que ele seja bem aceito em festivais, afinal é o único jeito de ver em tela grande. o roteiro trata, sobretudo, do acaso do dia-a-dia. e o pano de fundo é uma paixão ressentida.


"o lobinho nunca mente". um dos meus curtas favoritos. baixo orçamento, narração em off. a temática não tem nada a ver, mas foi referencia.

respeitosamente,
graziano.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

TRILHA SONORA - É ELA...

as músicas da trilha sonora estão fechadas. elas não foram feitas pro curta, já existiam. pelo contrário. o curta foi consideravelmente modificado para ter essas músicas de fundo. elas são fodas. os responsáveis? a excelente "bazar pamplona" e estêvão bertoni, seu vocalista.

são 4 músicas: 2 antigas da banda - "declaração 1" e "declaração 2" - ouça na página da trama virtual deles. a primeira pra cobrir um timelapse que ficou bem bonito. a segunda para os créditos. e duas que ainda não estão prontas. vou utilizar takes testes postadas pelo estêvão no myspace dele. são elas "cafona take 6" e "paco take 1". a primeira é para o clímax e a segunda pro começo, nos créditos iniciais vivos. essas versões à vontade são as melhores.

agradeço ao estêvão, que cedeu as músicas, e reforço aqui meu desejo psicopata obsessivo em fazer o clipe da música "é tão cafona o que eu sinto por você", que ainda não está pronta. no mais, ouçam as outras músicas deles e vejam seus vídeos-convites, sempre bem bons. e também esse vídeo feito pelo marcelo perdido da música sendo tocada ao vivo.



respeitosamente,

graziano.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

1º CORTE PRONTO - É ELA...

acabei agora o primeiro corte. está com 12 minutos. o roteiro tinha 9 páginas. quero deixar em 10 minutos, com os créditos. mas isso só vou saber quando gravar a narração em off com o léo. tá estranho ainda sem o off, mas já tem ritmo. se eu fosse picareta eu deixava o curta no silêncio, mas como estou me esforçando pra não ser, os offs permanecem. vai ficar bem mais divertido com eles. não vai ficar chato, acho eu. já botei uma ambiencia e dois foleys. tá dando pra sentir como vai ficar. deu um ânimo. e acho que vou precisar gravar pouca coisa de áudio. vai dar pra usar quase tudo de sound effect já pronto. e a correção de cor vai ser tranquila, pouca coisa mais grave pra corrigir. o brevis dá dor de cabeça, mas tem um resultado foda. seguem mais dois frames do curta sem correção.

léo.marina.

respeitosamente,
graziano.
STORYBOARD - "É ELA..."



storyboard página 5.

leo.

marina.

obs: não rodamos em 2:35. foi 16:9 mesmo.

respeitosamente,
graziano.

terça-feira, 9 de junho de 2009

"É ELA..." RODADO!


ontem terminamos de rodar o curta "é ela...". lá na praça do pôr-do-sol. infelizmente a cúpula da controle remoto não pôde participar (por incompatibilidade de datas), mas quem foi, deu um talento grande pra que a história saísse do papel. a equipe de fotografia foi sensacional no empenho, didi, 1ª ass, amanda, 2ª ass, encabeçadas pelo jorge, diretor de fotografia, que entrou aos 44 do segundo tempo e mandou muito bem. a tatiana me ajudando com a preparação dos atores e assumindo a ass. de direção também de última hora. a nina no figurino e maquiagem, além de sempre alegrar o set. o léo e a marina, protagonistas, que como eu já esperava, emprestaram suas imagens à história com louvor. a pequena isis, que fez uma ponta style. ao mau, que fez still, vai fazer o folder, além das várias pontas. ao lucas que assumiu o making of no primeiro dia. aos mendidos e motoboys que surgiram do acaso e participaram gentilmente (e sem saber). a praça-do-por do sol e todo seu clima peculiar. enfim, todo mundo que participou de alguma maneira.

estou ainda na depressão pós-set. mas depois de duas geladas tá passando. amanha acaba e já deve ter um primeiro corte tosco pronto. ontem, confesso, senti um sensação estranha. um misto de prazer e ojeriza pelo cinema de baixo orçamento. ao mesmo tempo que senti absurdamente o peso nas costas de ter assumido várias funções, além de bancá-lo sozinho (e saiu cara a brincadeira, fodeu!). cheguei a prometer que ia desistir do b.o., que ia desistir de querer dirigir no independente, e começar do zero, puxando cabo numa produtora de publicidade de grande porte. mas ai vem aquela sensação foda do b.o., de fazer na raça, contra tudo e contra quase todos, com pouca gente envolvida, mas bastante envolvida. de ver todo mundo trampando de graça, sem reclamar, pelo único interesse de que o curta saia e seja bom pra todos. momento emo, mas isso é foda, tive que escrever.

agora é montar e depois fazer o áudio 100% replace - vai ser tenso, mas aqui é raça brasil.

respeitosamente,
graziano.

domingo, 31 de maio de 2009

CINEMATOGRAFIA - CONTROLE REMOTO FILMES - 05/2009



vou reviver este blog. ele não pode morrer. ele é, até agora, a coisa mais relevante que fizemos pro cinema. então, como co-fundador da controle remoto filmes, eu reabro, com mudanças, este espaço.

só vou postar aqui sobre a produtora, ou melhor, sobre a cooperativa. making of, ensaios, relatos de direção, fotografia, roteiro e o caralho. em breve lançaremos nosso site oficial, e nele, logo na home, há um link pra este blog. não vamos desperdiçar.

meu primeiro post nessa nova faze será um resumo em poucas palavras sobre a breve história da nossa cinematografia, dos principais trabalhos, desde junho de 2007, quando nos juntamos, até maio de 2009. quase dois anos. vamos lá:

CINEMA, OVOS E CERVEJA - gravamos com uma SONY PDX10. modelo inferior à, talvez, câmera mini-dv mais usada na história, a SONY PD170. essa limitada prosumer foi nosso debute no vídeo. a metodista, na época, tinha a rodo. o fotógrafo era o bruno dias. ele pediu pra ser. o bruno dias não sabia nem o que era um fresnel e muito menos bater o branco. everton oliveira, que já fazia casamento, era o único que saberia a diferença entre rec e play. ele operou a câmera quase todo o curta. quase, porque teve que sair mais cedo um dia para segurar pau de fogo em casamento. tínhamos três fresnéis de 1000w, tecrons, gelatinas e não sabíamos usar. após testes fracassados, acabamos quase não usando luz artificial. tínhamos cenas à noite - resultado - subexposição grotesca. tudo perdido? não. por incrível que pareça, o curta foi muito bem enquadrado. plano e contra plano, plano master, planos fechados. eu montei. não tive problemas. falando com jorge furtado, no dia da premiação, ele elogiou muito o curta, sobretudo o roteiro. e, para nossa surpresa, disse que adorou uma pan logo no início do vídeo. a pan foi feita por everton oliveira. furtado foi profético.

ERA UMA QUINTA-FEIRA - prestigiados pelo prêmio do "sonho do ovo", pegamos pela primeira vez a PANASONIC HVX200, recém-chegada na metodista. ela não saia do campus. não tinha seguro. gravamos dentro do campus e o fotógrafo foi cleber isler. cleber não era da controle, mas era nosso amigo, trabalhava no estúdio e sabia operar a câmera. ele o fez. não tínhamos workflow pra captar em HD, captamos em mini-dv. zé augusto, nosso mentor em cinematografia, sugeriu que gravássemos em 24PA e em 16:9. natural. também queríamos assim. no dia, calhou o cocô. cleber vacilou, ninguém sabia lhe orientar direito - resultado - gravamos em 4:3 cropado e em 30fps. uma lástima. o curta não exigia uma cinematografia elaborada. não tinha movimentos de câmera, só algumas (várias) trocas de enquadramento. fizemos algo muito interessante, de começar o curta em plongee e ir gradativamente descendo a câmera até acabar num contra-plongee no limite do chão. a exposição também foi feita direito. fui o editor, tive muitos problemas.

EU ESTOU AQUI - podiamos esperar alguns meses e captar com a HVX200. não esperamos. captamos com a SONY PD170. chamamos vebis jr. pra fotografar. vebis é fotógrafo de vídeo, trabalhava no estúdio da metodista e era nosso amigo. pela primeira vez, como diretor (junto com mais três), senti um fotógrafo que opinava no set. foi ótimo. vebis sugeriu bastante coisa nas três diárias que fizemos. usamos a glidecam dele - uma steadcam de pobre. tínhamos também rebatedores, uma grande angular, tecrons, gelatinas. tínhamos cenas internas, externas, planos fixos, flutuantes, bem fechados, bem abertos. gravamos no centro da cidade, num arranha-céu, num boteco, num corredor de prédio, num apartamento. pela primeira vez fizemos cinema de verdade, mesmo em vídeo. e a fotografia, com todas as limitações de uma PD170, foi elogiada por onde passou. pontos negativos? alguns planos muito caretas, típicos de estudantes de cinema.

DIÁRIA.MENTE - rodamos com uma HVX200 + P+S technic + jogo de 6 lentes fixas nikon (18, 25, 35, 50, 85, 135). gravamos em 720 24PN pela primeira vez usamos um adaptador de lentes 35mm numa câmera de alta definição. a primeira de várias. o resultado foi apaixonante. workflow de cinema, com trocas de lentes, folow focos, pouca profundidade de campo, textura de filme. everton oliveira e cleber isler foram os fotógrafos - o início de uma parceria que dura até hoje. os dois alternaram a operação de câmera e a iluminação. como orientadores, tínhamos zé augusto de blasiis e wilson bonifácio. o primeiro, dispensa comentários, o segundo, professor de fotografia, nos ensinou muita coisa. a maior delas - trabalhar com poucos recursos - B.O.N.I - baixo orçamento não importa. ivan moura foi nosso iluminador de heliporto. o fez com toda experiencia que possuia. o fez com louvor. não tínhamos orçamento para grua, expriminos do dolly o máximo que pudemos, seja no escritório, no chão, seja no heliporto, no praticável, sugerindo uma grua de pobre. a cinematografia do clipe é, até hoje, o ponto em que mais recebemos elogios externos. ela cresce os olhos, sobretudo por ter sido feita num 5º semestre de um curso universitário. recentemente, um reitor afirmou, orgulhoso, que "diária.mente" é o melhor trabalho audiovisual já feito na história da metodista.

O GRINGO - captamos com uma HVX200 + brevis35 + jogo de 6 lentes nikon (não lembro quais, mas semelhantes à diária.mente). gravamos em 1080 24P. saímos do ótimo P+S technic para o inferior brevis. motivo? dinheiro. o primeiro era quase o dobro do preço da locação. a dupla de fotografia foi, novamente, everton oliveira e cleber isler. já levemente calejados do workflow que tínhamos, foi um trabalho relativamente simples. e a química rolou muito bem entre todos. tínhamos um sol de rachar, a belíssima orla de santos como locação e uma novidade - filtros. testamos vários e conseguimos um resultado muito interessante, sobretudo com o sunset, na performance. além de ajudar a quebrar a grande quantidade de luz divina que tínhamos, os filtros deixaram o look do clipe bastante autêntico. nada óbvio, nada vídeo. fizemos, sem humildade alguma (falo por mim), um belo trabalho de cinematografia nesse clipe - trocas de foco diversas, movimentos de câmera com dolly, tripé e carro, enquadramentos de performance não óbvios. pontos negativos? claro. deixamos a fotografia do interior do cinema subexposta, talvez dois stops. conseqüência? um preto ligeiramente lavado e falta de detalhes. além disso, algumas trocas de foco não foram pontuais, deixando alguns momentos cruciais com foco doce. na edição, que afirmo, com convicção, foi a mais tesão que eu já fiz, o jeito foi brincar com o desfoque.

COLORIR - repetimos a HVX200 + brevis35 + jogo de 6 lentes nikon. gravamos em 1080 24P. a dupla de fotógrafos, novamente, foi everton oliveira e cleber isler, ainda mais entrosada. usamos, pela primeira vez, uma grua. ela tinha cabeça remota, braço de 6m (se não me engano) e quem operou foi o pateta, da bureau, figuraça. usamos também um dolly mais profissa e 6m de trilhos. repetimos a dose de filtros, afim de fugir o máximo possível do vídeo e chegar o mais perto possível do cinema digital. exageramos, locamos uns 20 filtros. usamos uns 5, no máximo, mas a possibilidade de testar na hora foi crucial. os fotógrafos sugeriram bater o branco fora do branco, afim de conseguir ainda mais uma foto singular. nos takes de grua não pudemos usar o brevis, por motivos de peso e equilíbrio da grua. é notável, pelo menos pra mim, a inferioridade do look nos momentos de grua. porém, os movimentos de grua estão, no geral, bons. existe uma trepidação considerável no 180º por causa do vento. uma pena. já a parte da ficção está linda. ela toda. nas internas que tivemos, optamos por usar um filtro low-contrast. exageramos na dose. ficou doce demais, tive que corrigir forte na CC. tivemos um problema também com o despolido, que invadiu o quadro em alguns takes, e no motor do brevis, que algumas horas deixou a imagem texturizada. um pouco frustrante, mas depois passou. e ninguém, quase, repara nisso.

OBS: mesmo adorando o look que os adaptadores 35mm dão, hoje não tenho mais tanta fascinação por eles. além de tirar nitidez, deixam, em alguns casos, a imagem doce demais, necessitando de muita CC. ainda valem a pena, claro, mas quando se tem orçamento. estamos, no momento, gamados pela CANON MARK2. em breve devemos estreá-la.

respeitosamente,
graziano.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

"Feliz Natal" de Selton Mello


cotação: 3 estrelas

Existe um deslocamento latente quando chegamos nessa época de fim de ano. As festas, os olhares e o clima nostalgico nos corroem apesar da aparente intensão de esquecimento do passado e dos fatores que nos formaram perante seus amigos e família. Todos se reunem e nos desejam "feliz natal", o sobrinho chato, a tia bêbada, o tio "aproveitador e conquistador", o marido capacho da esposa e o tio deslocado de tudo aquilo. Feliz Natal, longa de estréia do ex-ator Selton Mello é sobre isso, relações pessoais e familiares e suas consequências filtradas por aparências.

Calcado em Lucrecia Martel e John Cassavetes, Selton Mello consegue uma estréia regular, com momentos incríveis de aprofundamento psicológico de seus personagens, e outros momentos visíveis de repetição de linguagem que acabam por irritar sua platéia, comum em filmes de estreiantes. O êxito de Selton em sua obra é de conseguir retirar a densidade exata de seus atores, todos tem seu momento de brilhantismo, como Darlene Glória como o ponto mais vísivel da disfuncionalidade da família com sua vó/mãe/tia/sogra inteiramente acabada e entregue a seus vicios e seu passado, e Lucio Mauro desconstruindo seu personagem típico de humor.

A fotografia de Lula Carvalho consegue com êxito exprimir sua necessidade densa e climática em todos os momentos do filme, mas se torna falha quando repete enquadramentos do perfil do personagem vivido por Leonardo Medeiros em quase todos os seus momentos. Mas é uma fotografia agil, que indica a solidão e sofrimento dos personagens ali mostrado, com hiper-closes e seu alto-contraste.

Fica claro que Selton Mello expõe sua obra com sinceridade e conhecimento, mas existem ainda falhas comuns a diretores que estão começando sua carreira. No caso de Selton esses erros não atrapalham inteiramente o andamento do filme e ele consegue nos deixar interessado pela sua história, apesar das poucas respostas e resoluções apresentadas. É de se esperar novos filmes desse ex-ator e agora realizador e contador de histórias.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Um Dia na Mostra...
Nunca tinha ido na mostra. E por causa disso sempre fui execrado. Como imaginava, o evento é carregado de posers e chatões, que se acham melhores que os outros só porque vêem filmes alternativos. (Um exemplo forte, foi um cara que se recusou a ir uma poltrona para o lado para que um casal se sentasse junto, sendo que ele não se prejudicaria em nada - e pra variar, ele tava falando de Bergman com a mulher - o típico paulistano babaca metido a besta mauricinho criado a leite com pêra). Mas, enfim, claro que a mostra é um sucesso não pelo seu tipo de público, mas sim pelos filmes que exibe. Sexta-feira fui conferir dois - seguem as resenhas:

APENAS O FIM - de Matheus Souza - ****
Estava deveras ansioso para conferir o longa produzido inteiramente por estudantes da PUC-RIO, escrito e dirigido por um cara de 20 anos, e já esperava a sensação de inveja/satisfação/encorajamento ao ver o filme, que superou as espectativas - “Apenas o fim” é ótimo. A gama de referências e boas piadas que o Matheu Souza conseguiu juntar num roteiro (muito bem amarrado) é acachapante. Representa forte uma geração e em certos momentos comove. Dífícil não se identificar com algo ali se tendo entre 15 e 25 anos. E a cena da sacada é uma das melhores do cinema nacional recente. Palmas também para os ótimos planos sequências em steadycam que dão um banho em muito filme caro já feito com a mesma técnica.

PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO - de Errol Morris - ***
Bem bom também é o documentário “Procedimento Operacional Padrão”, das torturas na guerra do Iraque. Um tanto mea-culpa demais, porém bom pra americano se auto penitenciar. Para nós, que pouco temos a ver com aquela realidade, basta acompanhar um instigante registro de entrevistas, fotos chocantes e uma reconstituição bárbara em slowmotion, além de uma fotografia arrebatadora em cinemascope. Há também a trilha assinada por Danny Elfman, aqui estridente, que deve agradar os menos exigentes.

Respeitosamente,
Graziano.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Cinema Brasileiro em Boas Mãos! (mas nem sempre...)



Hoje fui ver “Ensaio Sobre a Cegueira”. Bem descrente, diga-se de passagem. A recepção fria em Cannes e algumas críticas gringas negativas acabaram me influenciando e me convencendo, antes mesmo de ver o filme, de que Meirelles tinha errado o ponto e que o filme não passava de uma ambição barata de um cineasta querendo se auto-promover grande.


Falam muita merda na imprensa. Tanto lá fora quanto aqui. Desta vez não foi diferente. O filme de Meirelles é excepcional. É um vigoroso retrato apocalíptico, com requintes de um diretor detalhista e convicto, e que demonstra cada vez mais fazer não um cinema de autor fechado, mas com pequenas características próprias, que as carrega a cada filme. Tinha gente que falava; “Há, se o Saramago gostou, e muito, é impossível o filme ser ruim!”. Dito e feito. Quem somos nós, críticos babacas e blogueiros punheteiros, pra falar que o filme não é denso, que a carga dramática do livro não foi bem adaptada, que o roteiro tem furos, e o “caralho à quatro”, se o autor da obra “pagou um pau” pra fita. Achar que ele deveria ter tomado outros rumos da trama é normal. Assim como é discutível a narração em off feita pelo personagem de Danny Glover (que nas versões antigas de corte, segundo Meirelles, mergulhavam o tempo todo na história) e também sua relação íntima repentina com a personagem de Alice Braga, um tanto brusca, e também a entrega do diretor ao esquema de estúdio/público, amenizando a brutalidade da cena de estupro coletivo (que ainda assim, ficou bem tensa) para impedir que velhinhas fizessem passeatas na rua contra seu filme. Enfim, tudo é escolha. E Meirelles tem tino pra elas. Prefiro ficar com as dele.


Me deixa contente ver o cinema nacional, mesmo que como co-produtor, acertando a mão em filmes grandiosos, sobretudo de gênero. Destaque também para a ótima fotografia – e não digo na estética do filme, como alguns pedantes elogiam: “há, adorei a fotografia, estilosa e tal”. Aquele esbranquiçado e dessaturado, por vezes puxado pro cyano, é pós-produção pura. A questão da foto em destaque aqui é que em muitos takes, usaram-se duas câmeras – marca já registrada de Meirelles – e muito bem usadas, por sinal – Charlone é mestre. Sem falar no DESLUMBRANTE trabalho cênico que fizeram com São Paulo, deixando lugares chaves da cidade, como o Anhangabaú e o Minhocão, irreconhecíveis e impecavelmente inseridos no clima da história. É de arrepiar algumas das seqüências em que vemos a cidade deserta e carregada de lixo, e podemos esperar (tomara) um dos making-ofs mais valiosos dos últimos anos.


Semana passada fui ver “Linha de Passe”, do Walter Salles. Ele, que junto com Meireles formam a dupla de novos cineastas brasileiros mais conhecidos e prestigiados do mundo, também acertou bonito na nova fita. Muito mais simplista e humilhe que “Ensaio”, o filme de Salles é um sensível e competente retrato de uma família trivial paulistana. Eu tenho bastante implicância com diretores de família rica, que crescem fora do país e voltam pra cá querendo pagar de filantrópicos com uma câmera na mão, abordando temáticas sobre pobreza e miséria, sendo que eles nunca sequer sentiram na pele esta condição. Não é o caso de Salles. Assim como “Central do Brasil”, pouco importa explorar de fato a condição social dos personagens. Ela é apenas o pano de fundo para histórias altamente humanas e críveis, ora comoventes, ora divertidas, transformando o filme em uma cativante trama universal. Walter Salles é dos cineastas brasileiros, o que mais se enquadra com o recente cinema argentino. E isso é um baita elogio.


Já os parênteses do título, vêem para estragar uma semana e tanto para nossa cinematografia, em função da indicação de “Última Parada 174” para representar o Brasil no Oscar. Vi este filme em cabine, à cerca de seis meses, num corte inicial de 140 minutos e sem ter sua pós-produção de imagem e som concluída. Minha impressão foi sucinta: tem grandes chances de ser um dos mais equivocados títulos da retomada, devido à total falta de respeito e convicção que senti na mão de Bruno Barreto na direção. Na época escrevi um texto, bem revoltado por sinal, sobre a fita (http://controle--remoto.blogspot.com/2007/12/174-primeira-verso-bra-2007-140-min.html). É certo que eles mudaram muita coisa daquela versão, e pelo jeito ele vem agradando parte da cúpula do audiovisual. Na sessão teste em que fui, metade do público adorou, aplaudiu e tal, um quarto desdenhou e o outro quarto, onde me enquadrei, quase vomitou quando chegaram os créditos, graças a mediocridade do roteiro, esquemático e de mau gosto, à algumas atuações fraquíssimas, à fotografia indecisa, à trilha sonora inoportuna e à outros aspectos, que acredito, somados, impossibilitava ao filme de se salvar numa nova edição.


Não gosto do estilo que a família Barreto faz cinema. Nos últimos anos, eles foram responsáveis por alguns dos piores títulos lançados por aqui, e ainda por cima, não conseguiram os sucessos de bilheteria que tanto almejam. Eu torço muito pro cinema de gênero nacional, com comédias românticas, terror, suspense, policial, romances e etc. invadindo as telonas do país e arrebatando o público com histórias onde elas se identifiquem se divirtam, se emocionem, sintam medo, sei lá, mas que seja filmado por aqui. Torço pro cinema brasileiro um dia se tornar popular, mas não as películas baratas que a família Barreto vem nos proporcionando.


Cotação dos filmes citados:

Ensaio Sobre a Cegueira - ****

Linha de Passe - ****

Última Parada 174 (primeira versão) - #


Respeitosamente,

Graziano.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Ensaio sobre a Cegueira
(Blindness) - 2008 - Canadá/Brasil/Japão
Dir: Fernando Meirelles

Cotação: ****


"Ensaio sobre a cegueira" é uma das maiores obras literárias já escritas, e poucos colocariam isso em dúvida. O seu ator, José Saramago, já havia vendido os direitos de adaptação ao cinema em 1999, mas desde então o projeto estava engavetado. Os produtores hesitavam em produzir o filme, que seria, sem nenhuma dúvida, muito pesado e exigiria um diretor que soubesse aliar o talento ao bom senso, para evitar choques no público. Isso porque o tema principal de "Ensaio sobre a cegueira" não é a perda da visão, mas sim a perda da humanidade. Gradualmente, os humanos do filme vão se tornando animais guiados apenas pelo instinto de sobrevivência.

O nome escolhido para a direção de um projeto tão audacioso foi o de Fernando Meirelles. O diretor tem uma obra ainda pequena, mas já é um dos mais conceituados nomes do novo cinema; sua narrativa ágil e de apuro estético é herdada da publicidade, e impressionou o mundo em "Cidade de Deus", que consta em quase qualquer lista dos melhores filmes da história do cinema mundial. Meirelles sabia que seu trabalho não seria fácil; e não foi. Em um blog (blogdeblindness.blogspot.com), o diretor contava detalhes e inquietações dos bastidores. Após muitos cortes, o diretor concluiu o filme. Ao exibi-lo nos chamados "screening tests", boa parte da platéia deixava a sala antes do término da película, chocados com a extrema violência e degradação humana. Meirelles achou melhor suavizar o conteúdo.

A grande surpresa foi o convite para abrir o Festival de Cannes. Meirelles ainda corria atrás dos últimos detalhes da finalização e pós-produção, e teve que agilizar o processo. Após a exibição, a recepçção foi mais morna do que se esperava. Mas Meirelles já estava realizado; dias antes, exibira para o próprio José Saramago o resultado de seu trabalho; ao subirem os créditos, Saramago chorava, emocionado, e agradecia Fernando pelo resultado. A missão estava cumprida.

E, após tanta espera e expectativa, o filme chega as telas brasileiras. Acompanhos a trajetória de personagens sem nome e sem passado, que repentinamente perdem a visão. A cegueira é contagiosa, o que faz o governo isolar os infectados em quarentenas. E é numa delas que se passa a maior parte do filme, num sanatório abandonado onde são alojados os cegos. Dentre eles, uma mulher que ainda enxerga decide se passar por cega para acompanhar o marido. A partir daí, sua grande vatagem sobre os demais se torna uma espécie de maldição, de karma. Ela assiste a degradação e desumanização de todos ao seu redor, enquanto eles mesmos permanecem alheios ao estado em que se encontram.

A direção de Meirelles não poderia ser mais precisa. Ele evita julgamentos morais; apenas mostra fatos e circunstâncias. O espectador tem a tarefa de julgar ou não o que vê na tela. Os atos praticados pelos cegos são justificáveis? Tal degradação realmente ocorreria? Há espaço para muita reflexão, mas o filme não perde tempo com isso, e segue sempre em frente, numa narrativa que nunca cansa o seu público. A atuação de Julianne Moore apenas confirma o talento da atriz, e dá êxito ao filme, já que boa parte da trama se apoia em seu personagem, que se torna a visão do espectador. Nesse quesito, mais uma vez o filme se destaca. A fotografia de César Charlone beira a genialidade. É esteticamente bela e extremamente bem resolvida narrativamente, trazendo um conceito inovador que consegue mergulhar o público dentro do estado mental dos personagens. O uso do branco estourado dá um impacto muito grande na vista, chegando a passar a sensação de cegueira.

A única ressalva a ser feita é que o filme poderia, sim, ser mais violento e pesado em sua abordagem. As cenas cortadas não chegam a fazer falta do ponto de vista narrativo, mas diminuem o impacto do que poderia ser uma das mais perturbadoras histórias já contadas pelo cinema. Mas há de se entender a concessão de Meirelles; atingir um público grande com um ótimo filme ou um público reduzido com uma obra prima? ele optou pela primeira opção, e resta torcer para que um DVD com as cenas cortadas possa preencher essa lacuna. De qualquer forma, "Ensaio sobre a cegueira" desponta como o melhor filme do ano até o momento, com grandes possibilidades de indicações e prêmios no Oscar, Globo de Ouro e afins.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Wim Wenders no Brasil


Sexta-feira passada (22/08) o famoso diretor alemão Wim Wenders participou da sabatina organizada pela Folha de São Paulo no teatro do MASP. O evento contou com a participação de Walter Salles támbem. A Controle-Remoto esteve presente e aqui vai um resumo das perguntas feitas ao diretor.



-Sendo um dos grandes diretores do espaço urbano, e tendo vindo 4 vezes ao Brasil, o que te inspira no Brasil ? E o que distingue a paisagem brasileira da americana ?

Wim Wenders – Minha historia no Brasil começa quando eu era apenas um garoto, pela admiração que eu sempre tive com Oscar Niemayer, que construiu uma cidade no meio de uma floresta, então eu comecei a pesquisar sobre o país e eu adorei. Se eu tivesse que contar uma historia no Brasil, seria certamente em Brasília, mas para fazer a historia eu teria que ficar um tempo no lugar, até que a cidade me contasse a historia que eu gostaria de passar sobre ela. Eu preciso ouvir a cidade e ela tem que me dizer a historia.
E sobre Estados Unidos o que eu posso falar é que a paisagem do país é inteiramente recriada na minha cabeça pelas imagens que eu tenho dos velhos filmes Western já filmados, e o Brasil é como um quadro em branco, eu posso criar minha concepção. Em Paris, Texas, o mais difícil foi filmar o oeste americano sem repetir as imagens que John Ford criou.
A única imagem que eu tenho do Brasil vem de Antonio das Mortes, Terra em Transe, e eu realmente gostava porque era uma nova paisagem, de Glauber Rocha.

Os dois diretores que eu mais aprendi sobre foram Anthonny Mann e Ozu, na qual eu vi coisas profundas, transparentes e transcendentes, mais do que qualquer outra coisa que já tinha visto, os filmes de Ozu tinham um nível espiritual para o cinema que eu jamais havia visto antes.
Quando eu era garoto, pobre e morava num quarto gelado, eu descobri que ir ao cinema era uma coisa barata porque eu poderia me esconder nos banheiros e poderia ver 5 filmes pelo preço de um único. E após as sessões eu teria que escrever sobre os filmes para poder lembrar de todos eles no final do dia, e foi aí que eu aprendi como fazer filmes.

-O que faz os road movies especiais ?

Wim Wenders – É a liberdade que todos nós temos em mente. Quando eu comecei a fazer filmes, eu percebi que você pode fazer filmes em estúdio, locações ou na estrada. Mas filmar na estrada é uma experiência que me faz gostar mais de fazer filmes.
A maioria dos filmes são filmados de uma maneira insana porque não são filmados em uma ordem cronológica, mas os road movies tem essa liberdade de se filmar durante uma viagem realmente, de uma maneira cronológica e isso nos faz viver o filme do jeito que deveria ser.

Walter Salles – Na medida que você se desloca na estrada você entende o ponto de partida, acaba lidando com descobertas e transformações. Descobre que é mais interessante o que esta na margem da estrada. Ele se choca com a idéia de que o outro esta a ali e não é perigoso. O road movie tem um contorno político novo.

Win Wenders – Sim, você acaba se tornando mais aberto. O filme é como um gesto sobre o mundo ou alguém.

-Você nasceu em Dusseldorf, terra do famoso filme de Fritz Lang, mas no seu caso você é um anti-Fritz Lang. Para ele os planos são engrenagens implacáveis, e os seus filmes se abrem para o improviso e o acaso. Quanto no seu filme há de improviso e quanto de improvisação ? E você sente que Lang é como um pai para a cinematografia na Alemanha ?

Wim Wenders – Nosso cinema não tem nenhum pai, os nazistas fizeram filmes durante 15 anos e nós os rejeitamos como nossos pais. Fritz Lang é como um avô para nós.
A idéia de filmar alguma coisa em ordem cronológica é a única maneira de se criar uma obra sem um roteiro fixo, e a maioria dos meus filmes são feitos desse jeito. A maioria das minhas historias vem de lugares e atores. Eu sinto que um filme é meu quando eu não tenho tanto controle no processo de filmagem. E é por isso que eu realmente gosto de documentários. Quando eu filmei Buena Vista Social Club eu percebi que não era um documentário, mas um verdadeiro conto de fadas acontecendo na minha frente. As barreiras entre documentário e a ficção são transparentes, e uma boa ficção tem a verdade de um documentário.

-Em seu filme “Alice na cidade” você escrevia a cena na noite anterior de filma-la, isso ainda é possível ?

Wim Wenders – Se você dizer que vai fazer um filme sem roteiro hoje em dia, todos irão rir de você. Por isso eu escrevo “falsos” roteiros para conseguir o dinheiro necessário para filmar as minhas historias.

-Muitos diretores alemães foram seduzidos por Hollywood.

Wim Wenders – Hollywood está lá para diretores europeus e sul-americanos conseguirem fazer filmes americanos. Eu quase fiz isso, mas eu percebi que sou alemão no coração e europeu na essência, e eu nunca iria filmar uma historia americana e eu nunca seria um diretor americano.
Até os filmes que eu fiz nos Estados Unidos como “Paris, Texas” são minhas próprias produções, não existe relação com nenhum estúdio americano. Ser um diretor em Hollywood é uma profissão totalmente diferente.

-Nos anos 80 você trabalhou com cinema digital. Quais são suas perspectivas ? É uma nova arte ?

Wim Wenders – Eu sinto que as historias contadas hoje em dia alcançam um nível social jamais imaginado no século passado. Existem historias que uma câmera pesada de película não consegue contar tão bem quanto uma pequena câmera digital. Essas câmeras conseguem captar o contemporâneo.
A escala de nossas expressões está sendo multiplicada pela tecnologia, e nessa escala você tem que achar um balanço para contar sua historia, dentro da possibilidade financeira e qualidade. A maioria das pessoas pensam que gravar digitalmente é trapacear e manipulação, mas eu acredito que é apenas uma ferramenta que permite um verdadeiro acesso a realidade.

-E a questão da recepção ? As salas de cinema estão condenadas pela internet ? Perdendo-se o ritual coletivo do cinema não amputa o cinema de uma de suas dimensões mais profundas ?

Wim Wenders – Eu ainda acho que podemos assistir filmes numa tela gigante, essa experiência não está totalmente perdida. Projeções digitais são boas porque são rápidas e mais flexíveis. Elas permitem que qualquer cinema no mundo sejam uma Cinematheque.
Eu gosto da possibilidade de ter os meus filmes favoritos em DVD, eles viram objetos como os livros, e eu amo livros. DVD e as fitas abriram um novo caminho para os filmes. Eu acredito que as salas de cinema não vão morrer, elas vão continuar a existir até mais e melhor do que agora.

Walter Salles – Não creio que o cinema esteja morrendo e a experiência coletiva não está ameaçada pelo consumo individual. Há uma troca de relações e experiências... É como o sexo, melhor não fazer sozinho.

-Como você vê o futuro do cinema europeu ?

Wim Wenders- O termo cinema europeu é muito novo, nós começamos a usar esse termo porque percebemos que precisaríamos disso como um “guarda-chuva” para nos proteger de influencias externas para fazer nossos filmes. Cinema nacional e regional necessita desse termo, e no futuro eles terão uma grande importância, maior do que tem agora e teve no passado. Eles te forçam a proteger sua cultura e sua língua.

-Qual a situação mais constrangedora que você já passou com alguma atriz ou ator ?

Wim Wenders – Seria melhor eu não revelar isso. A palavra atores no plural não existe, eu nunca encontrei dois atores com a mesma aproximação para atuar. Atores americanos te fazem acreditar que existe um método geral para atuações. Mas isso não existe.
Eu não preciso do ator mais brilhante do mundo para criar um personagem, eu preciso daquele que consiga se achar dentro de um personagem. Eu gosto de atores que possam mostrar quem eles realmente são, não aqueles que se escondem atrás de uma mascara.

Walter Salles - Isso me faz lembrar de dois diretores: Kieslowski, que jamais repetiria um take, e Stanley Kubrick que acreditava na teoria da exaustão, onde só se consegue a real interpretação após centenas de repetições. A cena do banheiro de “O Iluminado” levou 123 takes para ser finalizada.

-Qual a sua relação com a música no cinema ?

Wim Wenders- Quando eu fiz meu primeiro filme acadêmico, era um filme mudo porque eu não podia pagar por um gravador. Eu senti que eu fiz algo que eu queria ter feito, e eu toquei muitas musicas durante as projeções e todas elas traziam um novo significado para o filme. Musica e cinema tem uma incrível conexão muito próxima.
As vezes eu tenho muita inveja dos músicos, porque eles tem aquela coisa. Por exemplo, no meu ultimo filme eu percebi que eu tinha que lidar com a morte, e eu não conseguia achar um filme com a mesma temática que eu queria passar no meu filme. Então eu achei vários músicos de rock que tocavam de uma maneira linda e que relaciona com o que eu queria, e isso me fez continuar, porque se eles podem fazer, eu também posso.

Walter Salles – Na pintura chinesa do século XIX havia sempre uma área coberta com nuvens para convidar o espectador a completá-la com sua percepção própria. O cinema devia ser assim, devia ser o invisível que completa o visível, como são os filmes de Wim Wenders.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

A agenda
(L'emploie du temps") - 2001- França
Dir: Lauren Cantet
Cotação: ***

Lauren Cantet já havia sido indicado a Palma de Ouro com este filme, antes de finalmente conquistá-la este ano, com sua mais recente produção, "Entre les Murs". Curiosamente, e de forma um tanto quanto inexplicável, "L'emploie dus temps" foi traduzido para o português como "A agenda". Inspirado em uma história real que chamou a atenção de todo o mundo nos jornais, revistas e noticiários, o longa conta a história de Vincent, um homem que, após ser demitido de sua empresa, esconde o fato da família e sai todos os dias de casa como se estivesse indo para mais um dia de serviço. Mesmo com as dívidas começando a apertar, ele não procura outro emprego. O que faz é apenas dirigir sem rumo durante todo o seu "expediente".

Partindo dessa excelente premissa, que traz consigo todo um pano de fundo complexo a ser explorado, Cantent constrói um protagonista de personalidade fraca, incapaz de encarar as responsabilidades e pressões de um emprego, de uma família e de relacionamentos humanos em geral. O que Vincent faz é fugir de tudo e de todos. Sua incapacidade de contar a verdade para o pai, para a esposa e filhos, faz com que ele trame esquemas para garantir o dinheiro necessário para manter a vida como antes. Entretanto, todos esses esquemas "brilhantes" têm prazo de validade; dentro de alguns meses o dinheiro terá que ser reposto, mas não há o menor gesto de Vincent na direção de conseguir um emprego para correr atrás desse prejuízo. As suas mentiras se sucedem, transformando-se numa bola de neve, e até ex-colegas, o pai e seu único amigo acabam sendo vítimas de seus golpes. Os conflitos éticos começam a perturbar sua mente, mas ele apenas segue em frente, de maneira cega e inconsequente.

A direção de Cantet é muito bem pensada, prolongando os planos para fazer com que o espectador sinta a agonia que toma o protagonista, pense com ele em soluções, mas seja vencido pela insolubilidade da situação. Vincent se deixa levar, recusando-se, de uma forma que pode soar egoísta ou correta, dependendo da moral do espectador, a aceitar ser escravizado pelo "sistema". Mas sua luta é inútil, e não pode ser vencida; pelo menos não sem consequências. Outro aspecto que merece destaque é a direção de fotografia, sempre correta e se aliando ao tom procurado pelo diretor. Impessoal, fria, distante; planos gerais, estáticos, longos. Cantet quer evitar o melodrama fácil e, ao mesmo tempo, fugir do julgamento negativo dos espectadores. O protagonista não se torna um mártir injustiçado, da mesma forma que não soa como um vilão inescrupuloso.

Mesmo com uma contrução impecável até seu terço final, "A Agenda" falha ao terminar de forma politicamente correta, destoando de tudo que fora mostrado até ali. O final é pesado, bate forte e tem gosto de derrota. Baseado no livro "O adversário", escrito por Emmanuel Carrére a partir da história real de Jean-Claude Romand, o filme de Cantet usa a história original apenas como ponto de partida. Quase todo o roteiro é original, e o final é drasticamente diferente. No filme homônimo ao livro, realizado em 2003 por Nicole Garcia, a história original é seguida mais de perto, e o resultado é um filme espetacular, extremamente perturbador.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A Encarnação do Demônio de José Mojica Marins




“Mas é filme nacional, hein !? Do Zé do Caixão!”, foi com essa frase num tom desencorajador que uma das atendentes de uma grande rede de cinema brasileira nos recebeu para assistir o tão aguardado filme de José Mojica Marin, “Encarnação do Demônio”, o filme que fecha a trilogia iniciada em 1964 com “À Meia-Noite Levarei sua Alma” e “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver” de 1967.

O filme traz um Zé do Caixão 40 anos mais velho do que vimos no começo da trilogia. Por essa razão também, muito do público que consiste no público de cinema de horror atual rejeita a obra da lenda cinematográfica brasileira. O público médio de Mojica consiste em jovens que viram o personagem em aparições em eventos e programas de televisão, sempre caracterizado e com seu discurso datado e que só é levado a sério por si mesmo. Grande parte desse público provavelmente nunca nem assistiu algum filme do cineasta.

Para trazer o personagem de volta ao interesse do público, Mojica contou com a colaboração de Dennison Ramalho (autor de “Amor Só de Mãe”, cultuado curta-metragem de horror), Paulo Sacramento (famoso montador de “Cidade de Deus”) e os conhecidos irmãos Gullane. O desafio de Mojica era fazer com que seu personagem fosse interessante dentro desse novo cenário de filmes de horror que vem arrastando jovens sedentos por violência para dentro do cinema, como “Jogos Mortais” e “O Albergue”.

A duvida era se Mojica iria ser condicionado a apenas a aparecer no filme ou se suas características próprias iriam continuar viva na sua obra, e é isso que vemos na tela de cinema ao assistir o filme. Apesar de competentes efeitos visuais, a linguagem do personagem ainda está lá, intacta e facilmente notada pelo publico, principal motivo para as pessoas continuarem qualificando o cineasta como trash, rótulo que o próprio descarta veemente.

O filme mostra Josefel Zanatas em busca da mulher superior que ira dar vida ao seu filho perfeito, após ficar preso durante 40 anos. Para isso conta com ajuda de Bruno e de outros quatro seguidores que o acompanhariam até a morte. Encontra no meio do caminho um padre (Milhem Cortaz) que busca vingança pela morte de seu pai e dois policiais irmãos, um deles vivido por Jece Valadão, não mais entre nós, que tentam impedir Josefel de conquistar seu objetivo. O roteiro apesar de falho em partes de sua narrativa, é ágil dentro de sua busca principal, e conta também com boas tiradas nos diálogos. Destaque também para a atuação de Adriano Stuart e das velhas ciganas cegas Helena Ignez e Débora Muniz.

Porem o principal trunfo do filme é a fotografia de José Roberto Eliezer, sempre marcante e condutora da narrativa de Mojica, brilhante nos momentos onde vemos os personagens mortos por Zé do Caixão nos dois primeiros filmes, em preto e branco. O filme ainda conta com a presença de Alexandre Herchcovitch (como um dos travestis e também vestindo o protagonista, as noivas e a “morte”), Zé Celso na absurda cena do purgatório e também a de um fã-sósia americano que veio para o Brasil para gravar a cena onde Zé do Caixão (ainda jovem) mata um padre com uma cruz e cega um dos policias, cena que foi censurada na época da ditadura.

As cenas de violência estão lá como todos imaginávamos, mas elas não são lançadas de um jeito fetichista que estamos acostumados em ver nas obras de Eli Roth (O Albergue) ou em “Jogos Mortais”, são cenas que compõe um pesadelo criado pelo próprio personagem e não pelo simples motivo voyeur criado pelos ângulos da câmera. Cenas onde mulheres saem de dentro de um porco, se afogam no sangue e também em baratas ajudam a tirar o fetichismo em cima da obra.

“Encarnação do Demônio” é sem duvidas um ponto positivo para o cinema nacional, é um filme que será facilmente lembrado no futuro por sua qualidade técnica e também por trazer de volta uma das lendas (mesmo que malvisto na maioria das vezes) do cinema brasileiro para as telas. Que essa não seja obra única na nossa escassa cinematografia.

cotação: 4 estrelas

sexta-feira, 25 de julho de 2008

ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO - ***
(Before the Devil Knows You're Dead) (EUA) (2007) (117 min.), de Sidney Lumet





Andy (Philip Seymour Hoffman), o irmão mais velho, é um executivo falido usuário drogas que convence Hank, seu irmão mais novo também falido à assaltar a joalheria dos próprios pais afim de se livrarem dos problemas financeiros e recomeçarem suas vidas. Andy tem uma bela mulher e é viciado em drogas, Hank é divorciado e pena para pagar a pensão da filha, que mora com a mãe. Livrando-se de todo e qualquer pudor, o plano é botado em prática, mas quando um ajudante contratado por Hank falha na hora do roubo e deixa a mãe dos dois à beira da morte, uma série de conseqüências e arrependimentos cerca a vida da família e das pessoas envolvidas.

Com dezenas de filmes na carreira, diversas indicações ao Oscar e incríveis oitenta e quatro anos de idade, Sidney Lumet é um dos grandes diretores americanos de todos os tempos. Com grandes fitas como "Um Dia de Cão" (1975) e "Sérpico" (1973), é especialista em dramas tensos e frios, sobretudo passados em tribunais.

Após decepcionar no errôneo "Sob Suspeita" (2006), Lumet arranca aplausos no instigante e viril "Antes que o diabo saiba que você está morto". Com atuações certeiras de todo o elenco, roteiro afinado e direção firme, tem pequenos tropeços quanto à edição fragmentada e certos vícios de um diretor um tanto quanto antiquado. No geral trata-se de um filmão. E o inusitado fica com a tão comentada similaridade de enredo com o recém lançado "O Sonho de Cassandra" (2007), de Woody Allen. A semelhança é tão gritante que parece que os dois gigantes participaram de uma gincana onde cada um faria seu filme a partir da mesma sinopse. E qual o melhor? O melhor a fazer é conferir os dois e tirar as próprias conclusões.

Respeitosamente, Graziano.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Diária.Mente - banda GRANADA

Nesses últimos meses o blog Controle Remoto ficou um pouco de lado, em virtude de estarmos com energias concentradas em algo muito importante. A Controle Remoto Filmes estava ocupada com a produção de seu primeiro videoclipe. Agora, o trabalho terminou, e temos a honra de anunciar a estréia dessa nova mais nova realização.



Segue o comunicado oficial da banda Granada

OFICIAL - Estréia do Vídeo Clipe na MTV
Em poucos dias lançaremos nosso primeiro vídeo - clipe.


A música que também da título ao cd - (Diária.Mente) é uma resposta ao reflexo da rotina do ser humano atual, onde o dinheiro infelizmente se tornou a essência da vida e a busca pelo sonho perdeu espaço pras necessidades impostas pelo sistema.


*** VÍDEO - CLIPE | DIÁRIA . MENTE | ESTRÉIA OFICIAL ***
DIA 11/07 (sexta - feira) NO MTV OVERDRIVE
DIA 14/07 (segunda - feira) NO DOMÍNIO MTV - 17:00hrs


Precisaremos MAIS DO QUE NUNCA de vocês, chegou a hora de mostrarmos a nossa força, que comecem os spams no msn, orkut, fotolog, blog, xatoblog, blá blá blá...

Quero ver todo mundo a partir de sexta - feira vendo o clipe no Overdrive e a partir de
segunda - feira todo mundo pedindo o clipe no TOP 10.

A UNIÃO FAZ A FORÇA e vocês são a nossa.
Vamos em busca dessa nova conquista galera!!


Beijos e abraços

Yuri, Kauê, Zé, Léo e Victor
.GRANADA


Controle Remoto Filmes é: Bruno Dias, Bruno Graziano, Cleber Isler, Everton Oliveira, Murilo Costa e Rafael Mattielo